
14.1. Se um homem tiver um raio de circunferência abdominal de 17 cm, tem excesso de gordura abdominal? Apresenta os cálculos que tiveste que efectuar.
De seguida apresenta-se uma a tabela que relaciona esse risco com a cricunferência abdominal.

A obesidade é indiscutivelmente um factor de risco importante nas doenças cardiovasculares. Estima-se que indivíduos com 20% a mais do seu peso ideal tenham uma probabilidade 3 vezes maior de sofrerem de infarto agudo do miocárdio do que as pessoas que apresentem um peso corporal dentro da faixa de normalidade. Contudo, actualmente a distribuição de gordura, especialmente a localizada na região abdominal, tem sido sugerida como um predictor de risco para doenças metabólicas cardiovasculares, mais importante do que a própria obesidade global que é em geral avaliada pelo Índice de Massa Corporal (IMC). A obesidade abdominal ou central (não subcutânea) está estreitamente associada às comorbidades metabólicas como resistência à insulina, diabetes, hipertrigliceridemia, redução da fração HDL- c e hipertensão arterial sistémica, situações que aumentam o risco cardiovascular. Com o advento da tomografia axial computadorizada foi possível fazer uma avaliação minuciosa do tecido adiposo na região abdominal. Mesmo em indivíduos considerados eutróficos de acordo com o Índice de Massa Corporal, a acumulação de excessivo tecido adiposo visceral foi associada à resistência à insulina e intolerância à glicose que estão associados ao aumento de risco de diabetes tipo II (adquirida na vida adulta), hipertrigliceridemia e redução nos níveis da fração HDL-c. Outras evidências mostram que a ocorrência dessas alterações - resistência à insulina e alterações lipídicas - está também associada a alterações em variáveis hemostáticas as quais contribuiriam para aumento do risco de eventos aterotrombóticos. Infelizmente, a técnica de avaliação corporal por tomografia computadorizada é limitada dado o seu custo elevado. Apenas centros de estudos especializados realizam essa avaliação, sendo inviável a sua utilização na avaliação da saúde pública.
Na prática, existe muito boa correlação entre os dados da tomografia e o valor da circunferência abdominal para ambos os sexos. A sua avaliação é rápida, de baixo custo e grande utilidade diagnóstica e prognóstica, assegurando o sucesso da terapia. A medida deve ser feita com fita métrica inelástica, preferencialmente após expiração. Considera-se a circunferência abdominal a distância média entre a última costela e o topo da crista ilíaca. É importante lembrar que os valores recolhisos devem ser avaliados criticamente, pois a relação entre as variáveis antropométricas com o tecido adiposo visceral pode diferir entre grupos étnicos e pode ser afectada pela idade. Os adultos mais velhos podem ter mais gordura visceral pela circunferência abdominal do que os adultos jovens.
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